900

 


deixei novecentas versões de mim pelo caminho.

estavam guardadas em estrofes e métricas sem rimas que, com o tempo, deixaram de me servir. olhei para elas e não encontrei o meu reflexo, vi apenas um rastro, a cópia da cópia do cara que já fui um dia..

é necessário coragem para admitir que não nos reconhecemos mais nas próprias palavras. amadurecer, muitas vezes, é ter de abandonar o que já foi confortável para encarar o frio de um novo começo. as ideias que agora me visitam não cabem mais nos moldes antigos, elas exigem o silêncio, o espaço e a pureza de um papel que ainda não foi tocado.

precisei desaprender o meu jeito de escrever para, enfim, aprender a dizer o que sinto hoje. as dores que me retalharam finalmente encontraram espaço para existir do lado de fora.

minha bagagem agora é leve, carrego apenas o essencial. a vontade de observar o mundo com olhos novos me revelou a paciência de quem sabe que toda grande história começa, inevitavelmente, com uma folha em branco.

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